sábado, 17 de dezembro de 2011

Em Alfama







Clichés.
Acorda-se a ouvir o fado em Alfama, sim parece mentira mas é mais pura verdade. Caminha-se pelas ruelas e ouvem-se histórias ou lamúrias da vida dos vizinhos do velho bairro. São velhas as pedras que o sustentam, que tanto poderiam contar se nos falassem dos amores e disamores, das injustiças e da saudade... E ao subir nas escadinhas encontramos o senhor gato, imponente na sua rua, se pudesse falar, talvez nem nada pronunciasse com o seu ar majestoso... Talvez, pudesse contar que ali tudo passa como quem chega com nova notícia ou sedento de nova vida, mas volta sempre a casa, regressa sempre à pátria, porque aquele sim, é um dos bairros mais antigos de Lisboa. E vem a senhora, com os seus trajeitos de portuguesa de bairrro, e uma simpatia autêntica, de quem está vivo e se alegra por mais um dia começar e as escadas subir. Subimos entre conversas e sorrisos espontâneos, soltam-se queixas de velhos edificios abandonados, antiga sua moradia, que com a ventania solta as portadas e pode magoar alguém... Sim... é... neste bairro andámos a fingir que está tudo bem, por for a, parece...mas a maquilhagem estala e as gretas do tempo abrem-se prestes a quebrarem-se por não susterem tudo. O velho, o novo e o que ficou entretanto, entre os turistas traseuntes e os velhos locais, acabamos por felicitar-nos que será um dia não de sol, mas não chuvoso, a senhora segue e subo.
Acordei a ouvir o fado.
É com o fado no meu coração que sigo na labuta dos sonhos.
Sem dúvida que tantos clichés já me assaltaram a mente e tocaram-me no ponto mais banal e curriqueiro da minha pessoa, sim, gosto afinal do que é óbvio e aparentemente exagerado ou vazio de sentido, de facto, não há coencidências. Este cliché triunfou por mostrar a vida no que parece perdido ou forçado e comprovar que as almas dos lugares fazem-se de pessoas e de paixões, pois ainda ali há vida que se fala nas músicas e chorava-se por tempos idos. E tantas histórias naquelas pedras de pessoas que por ali viveram e outras passaram, agora Alfama está entre o que foi e um cliché que é revivido, tal como agora tenho que escrever estas palavras... Bairro envelhecido que se regenera ao turismo e para os jovens revivalistas, que poderão contar as pedras mais tarde? Existem outros detalhes muitos outros, como o jardim das pichas moles e as respectivas cadeiras aguardam o ponto de encontro, ali num beco de Alfama...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fruto de outono



Caiem como folhas soltas ao vento, tudo se transforma e seca e parece até a apodrecer...
São frutos do amadurecimento, caiem com tons ocres e vermelhos do quente do seu interior e do desprendimento da longa e seca estação...
Chegam novos ares que trazem consigo a chuva abundante as tempestades arrassantes e o retiro para a colheita do frio...
Sim, esta é a a estação que prepara o recolhimento, as uvas, os medronhos, as castanhas e romãs... Dávidas que anunciam que terminou o fruto fresco e chega o fruto seco do verão...
Quem semeou, já colheu e espera agora à lareira a nova faina começar...
No fogo vejo o futuro, anseio o frio, mas conforta-me a alma ao saber o quão a vida é generosa e joga por vezes injustamente para balançar de novo o equilíbrio dos opostos e as energias em choque e em explosão... Vejo os ciclos e sinto o fogo interior de tudo... que tudo gera e apaga.
O cheiro outono vem no vento que começa a arrefecer o corpo e a luz brilha mais por espreitar de soslaio... Á espreita ilumina com freixes de luz, deixando sombras e brilhos cintilantes... Choveu e veio a bonança, gosto da vontade de me abrigar em sossego e de deixar-me estar com os sons no exterior... Caiem as folhas e os últimos frutos marcam a despedida da época do sol para festejarem a vinda das águas que tudo lava e fortifica, renovando outro começo...
Sabores que se desfazem na boca, sumos que se diluem é fresco, doce e amargo também, são assim as contradições desta estação, que nos leva a crer que é possível dançar como no verão, mas no fundo é a despedida da bonança e o começo de um outro início dos tempos, de outra estação e outras conversas na companhia do fogo...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"Graffiti_ From the Underground to the Mainstream"


This cool outrageous film, "Exit through the gift shop", tells something about this theme from "the underground to the mainstream... It's a must see!
And I humbly have something to say too... I've studied a bit about the amazing art work of Graffiti and Street art!

Words from my master thesis...

(...)"The language of subversive art emerges as a new code that speaks for itself in the amid of a urban, capitalist, consumerism and global context. Claims public space in a territory not yet occupied, also competing with advertising, but to subvert their messages it is also to encroach the common area.
The act of doing graffiti raises the existence of man in the world. It leaves its legacy, their signature, their message or artwork, so they know of its existence and emerge from anonymity to fame and go to eternity.(...)

(...) "A linguagem subversiva ou artística surge como um novo código que fala por si, no meio de um contexto urbano, capitalista, consumista e global. Reclama um território no espaço público que ainda não foi ocupado, competindo também com a publicidade, ao subverter as suas mensagens que também são usurpadoras do espaço comum.
O acto de fazer graffitis eleva a existência do homem no mundo. Este deixa o seu legado, a sua assinatura, a sua mensagem ou arte, para que saibam da sua existência e para sair do anonimato e passar para a fama ou para a eternidade."(...)

Master Thesis in Communication
Universidade Católica Portuguesa
Faculdade de Ciências Humanas
Orientação de Professor Fernando Ilharco
Copyright 2011. All rights reserved.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Confio nas Sombras




Que se transformam e transmutam com o tempo e a luz. Que se diluem no tempo dos astros e nos iludem nos seus neóns.
Doces ilusões brilham e cintilam na escuridão da noite até ao amanhecer quando somos ofuscados pela intensidade do sol. Começa de novo a magia do dia e o sussurro da brisa que ecoa do vento, nascem sombras e reflexos, outras visões, outro espiritos?
Realidade transformadora que mexe em tudo o que não é estanquee tudo se modifica em múltiplas imagens, formas e noções do que é, pode ser ou talvez seja momentaneamente criando a alusão entre os sentidos e a dita realidade, que é tão vasta e infinita na sua concepção e existência. Como é belo o simples rastro da vida, o que é por instantes.

sábado, 12 de novembro de 2011

A estrela


Cada dia. Um dia de cada vez. A luz do sol aquece a alma e da lua traz o mistèrio.
Um dia que passou, outro que vem, são dias de vida ou parecem muitas e outras vidas.
Vive-se com dias curtos e outro longos e plenos. Sente-se sem dias e horas, apenas vive-se sem a consciência desse tempo, dentro do tempo e do que se perde por saber-se.
Pensamentos vagos ficam suspensos entre o ontem e o amanhã, promessas de sonhos ou palavas soltas no tempo do vento, sem vagar e intenção, apenas o sentir da brisa, com os cabelos ao vento e o sol que afaga a pele. Após o dia a noite que se recolhe mais intensamente no frio, sente-se um desamparo de quem está só e os dias podem ser noites indiferentes aos astros e à passagem das estações e do tempo do tempo... Fazem-se tempos e perdem-se outros. Não.
Tudo se desfaz na efemeridade da matéria, é o tempo que materializa e nos condena ao fim. Mas a eternidade faz-se em vãs palavras e banais emoções, são vida enquanto são no tempo que existem e as vontades que o comandam. Agora é tempo de amar e criar com o trabalho.
Trabalha-se para que o tempo seja infinito, a noção do fim perpétua-se no incógnito, de tanto saber e nada saber, nada pois as palavras, as intenções e o conhecimento escapam-se nas viagens do tempo, assim sem fim e sem sentido... São como caminhos sem tempo que trazem algum significado, alguma... vontade para além da sobrevivência e da ambição. Quanto tempo sobrevivo assim e quanto tempo falta para alcansar aquela meta e conquista? Entretanto falta um tempo para a morte e o que ficou entretanto entre os tempos do tempo. Intervalo.
Paro sem cismar, sigo sem temer mas levo comigo a vontade de conectar-me à energia de todos os tempos, aquela que faz acontecer, pára relógios e multipla o tempo em dimensões surrealistas, que pairam entre o ser e o saber, entre o sentir e acreditar.
O luto da tristeza é um tempo limitado espera-se. Ou talvez, seja o tempo guardado que se deve perder no universo da vida e fica lá como uma estrela da memória, que marca pelo seu brilho alguns nuances desses tempos. São estrelas da vida que definem algumas rotas são trajectos a repetir se assim o desejarmos ou necessitamos.
Olhai as estrelas senti como partiste outrora e conseguiste tanto ou viveste tanto, e tentastes mesmo sem os feitos, mas com os factos que brilham lá no alto e tanto nos contam sobre tempos idos e revividos e outros tão perto e parecem tão longe... As estrelas guiam-nos por caminhos escuros e cegos de sonhos e ilusões, mas o medo pode paralizar-nos no tempo e na visão. Tempos obscuros de dúvidas e tristezas, aqui entra o abismo entre viver ou morrer na vida, entre ser por tentar ou ficar nesse vivo, sem restar nada, mas apenas a possibilidade de ver a estrela no coração. Essa sim, é para a vida e só no fim, fará parte do universo, como matéria suspensa no tempo de outras matérias e outras histórias. Como o último adeus da eterna despedida e a certeza do vazio do tempo.

sábado, 29 de outubro de 2011

As densidades


Media-se a dor por esperar um dia acabar. Conta-se o dinheiro para durar e se multiplicar, como os dias, os meses e os anos, mas estes aumentam para o fim e o início da eternidade. É densa a quantidade de vezes que sofri e os anos que vivi em alegria também e aquelas emoções que se colam como cicratrizes que nos atormentam a vida toda… A vida toda é densa… Densos são também os mares que se oceanos e as serras que são montanhas e tudo tudo que é real ou uma recriação do que existe entre o é e o que parece ser, ou o que apenas é por sentir com os cinco sentidos e com todas as emoções… Densa condição de viver que busca camadas de roupas e histórias de encantar e representar os diferentes papeis nos cenários… Densos são os jornais e os livros, denso é o mundo por tanta agitação e injustiça e tantas pessoas… É denso sentirmo-nos especiais… sinto-me pesada.
Queria perfurar a densidade da luz que fura entre as árvores e penetra no solo, criando um jogo entre as folhas que dançam ao vento e as árvores que parecem mexer-se suavemente… A luz pode ser imensurável não é cativa, expande-se sem limites.
Ser luz sem grades, ter sem ter, imanar sem temer, ser sem pesar, agir por ser.
Vejo o quão pesadas andam as consciências e os corpos opacos sem vida, sinto a densidade do ar, da terra, do mar e perco-me na sua vida, fragmentando-me em nada e dentro da densidade de mim, levito na natureza sem nada mais…
Palavras densas obscurecidas por códigos que são a poeira e a tempestade de areia que aumenta e imobiliza qualquer vida existente. As tempestades que arras am.
Olhares e memorias que se tranportam connosco criando um ambiente, um cenário de nós e dos nossos sonhos e ilusões… Que densos que somos.
Percorria-te o corpo até sentir a tua densidade dentro de mim e libertar-me da minha e assim a levitar agitava a densidade da nossa alquimia, sentindo-me por fim densamente poderosa pela densidade dessa expiriência… Quão profundo é o teu olhar, quão fundo é o teu ser, como o oceano… A vida é interminável e inesgostável.
A densidade do meu limite é uma ilha confortável da qual crio nevoeiros densos de enigma, por não saber libertar-me e por temer o impacto da queda pesada e densa. Densos são os meus pais, por não os saber amar e querer-los tanto. Respiro a densidade do meu ser, suspiro pesadamente pela carga dos meus pensamentos e emoções que ocupam espaço e roubam energia.
A densidade em todos e em cada um é um universo infinito de realidades sobre ficções e histórias sobre factos, que de alguma forma fazem sentido ou convivem harmoniosamente, gostaria de viver em algumas densidades e abandonar-me à minha insignificância… Mas afinal são os caminhos densos que percorremos e pontes que atravessamos ou elos que construirmos que dão significado e sentido à vida, são densidades temporárias, que nos permitem avançar aparentemente às cegas… A luz a travessa todas as camadas e é sem permanecer, transporta-se, transforma-se e transmuta-se… A luz adensa-se e espalha-se até desaparecer.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Vamos?


_ Vem comigo.
_ Para Onde?
_ Para o lugar onde tudo acontece como o fluir da água e os únicos sons trépidos são gargalhadas contagiantes que ecoam pelas montanhas do equilibrio da verdade e da razão.
_ Existe?
_ É incrível, mas sim o vento vive a música do amor que noite e dia acompanha o sol e a lua com todos os seus sons e cântigos particulares. Melodias da vida e da natureza...
_ Como viver ali?
_ Vive-se como a água corre nos vales, a fonte da vida e do amor, que tudo alimenta sem mais necessidades. Pois a terra tudo dá, tal como, a água.
_ Não sei.
_ Percebo-te, parece impossível.
_ Mas e tudo o resto? Aquilo que tenho e esperam de mim?
_ Parte como se morresses e pudesses seguir sem nada por fazer ou dizer.
_ É difícil.
_ E no entanto tão simples.
_ Não sei se consigo...
_ A vontade está ligada à liberdade de viver em ligação com o universo apenas. Parece pouco ou banal, mas é tão essencial como respirar e aceitar a vida e a morte. A seu tempo irás colher frutos semeados por ti e no ciclo da abundância tudo virá ao teu encontro. São processos em constante mutação e composição, inter-relacionando-se e complemetando-se, assim sempre... O que darás, irás receber.
_ Que quimera!
_ ahahah! Vamos?

Photo Axis Dance Company S. Francisco